Os 200 melhores álbuns de Rock Progressivo - Parte 5

Os 200 melhores álbuns de Rock Progressivo - Parte 5

Ou, pelo menos, essa é a opinião da revista inglesa Uncut, que fez uma edição especial com esse ranking.

Essa é a continuação (a quarta parte está aqui) dessa série e vamos ver mais dez álbuns, dessa vez do 160 ao 151.

Siga comigo nessa jornada de aprendizado musical!

160 - The Geese and the Ghost - Anthony Philips (1977)

Anthony Philips foi o primeiro guitarrista do Genesis (substituído depois por Steve Hackett) e foi um dos mais prolíficos compositores de "Library Music", que é basicamente música composta para ficar a disposição dos departamentos de televisão e rádio para uso em vinhetas de abertura e como trilha de programas de TV. A grande diferença para o cinema é que elas não são feitas para uma produção exclusiva, são gravadas em discos e ficavam literalmente, na estante, para pesquisa e uso dos produtores de audio visual.

O hiato entre a sua saída do Genesis e esse primeiro álbum, em 1977, aconteceu por um período onde Philips teve uma grave crise de pânico de palco (o que o levou à Library Music) e também porque a gravação do mesmo foi demorada, tendo iniciado em 1974 e suspensa por ter sido recusada por diversas gravadoras.

Cercado de uma junta de músicos experientes do estilo (entre eles, um tal de Phil Collins) ele produz esse álbum, que é altamente típico do Rock Progressivo Sinfônico. Temas que evocam cenas medievais, várias camadas de cordas e guitarras junto a sintetizadores construindo uma harmonia complexa, com variações de tempo e clima. Tudo muito bem executado, embora talvez um pouco clichê demais.

O nome do disco, que parece ter sido retirado de algum folclore antigo na verdade é apenas uma piada sobre alguns efeitos de som gerado durante as gravações, que pareciam o grasnar de um ganso e o lamento de um fantasma. Dessa piada de estúdio o ilustrador teve uma inspiração para criar a bela capa que vemos aqui em cima.

159 - Too Old for Rock and Roll; too Young to Die (1976)

Se 30 anos hoje é visto como o auge da nossa vida adulta, na década de 70, era o início do fim. As mulheres eram chamadas de "balzaquianas" e os homens, marmanjos, que não podiam mais perder tempo com besteiras. Pelé cogitou nem jogar a Copa de 70. Hoje Messi jogará na copa de 2026 com 39 anos.

É sobre essa dor que Ian Anderson, diante do precipício de seus 29 anos, compõe esse álbum. Acossados pelas novas tendências do Rock, que culminariam no Punk, estariam os trintões do progressivo e do rock clássico acabados para a opinião pública?

Além da faixa-título, que conta a história de "Ray Lomas", um motoqueiro dos anos 50 que de repente acorda na década de 70 e se sente totalmente deslocado, pouca coisa me chamou atenção.

Não é um grande álbum, sinceramente acho que deveria estar abaixo dos que já apareceram do Tull por aqui, mas é uma boa reflexão.

Ao mesmo tempo em que o rock clássico em geral e o progressivo em particular se tornaram nichos, boa parte das bandas dos anos 60 e 70 foram longevas. Mesmo que não estejam no auge, viraram marcas e lotam turnês até hoje.

O mainstream pode viver de novidade, mas música de qualidade é atemporal.

158 - Delusion - McChurch Soundroom (1971)

D

Esse disco único de uma banda suíça obscura é uma espécie de elo perdido do Rock. É difícil definir seu estilo. Embora a capa sugira algo mais sombrio, na verdade o que temos é um rock com blues, com um bom groove, e o uso de flauta que lembra um pouco o Jethro Tull, mas aparentemente os músicos estavam mais preocupados com improvisação do que com composições em si.

O que mais se destaca nesse álbum para mim é a performance do Baterista Norbert Jud, não só pela faixa "Dream of a Drummer", onde ele tem um grande solo de bateria, mas por fazer levadas sofisticadas basicamente o tempo todo. O produtor, Conny Plank, percebeu o que tinha nas mãos e colocou o som da bateria muito mais em destaque do que o normal. Os demais músicos fazem bons solos, mas a falta de inspiração nas transições meio que torna o álbum repetitivo.

157 - Third Ear Band - Third Ear Band (1970)

Third Ear Band é uma banda inglesa, originária de Londres e é muito mais uma banda de música erudita de vanguarda com influências indianas do que qualquer coisa que possamos chamar de rock. Esse disco foi lançado por um selo de rock progressivo, provavelmente mais de olho no interesse dos hippies pelo orientalismo do que por apego ao estilo.

O disco é uma suíte de 4 movimentos, cada um denominado por um dos 4 elementos da antiguidade (Ar, Fogo, Terra e Água). A música é mais etérea nos movimentos de ar e fogo e mais tribal nos elementos mais "sólidos".

A instrumentação é praticamente toda acústica e a música, dada a influência indiana, é bem hipnótica e te leva gradualmente a uma espécie de transe auditivo.

Embora não seja nada do outro mundo (Close to the Edge, do Yes, faz muito mais com ideias parecidas de misturar influências orientais e ocidentais) o resultado é interessante e, na época, chamou a atenção de Roman Polanski, que os convidou para produzir a trilha sonora de sua versão de Macbeth (1971) para as telas.

156 - Caravan - Caravan (1969)

Esse é o primeiro disco dessa lista que eu simplesmente não consegui achar de forma inteira para audição, seja no streaming tradicional ou no Youtube. A gravadora que o lançou faliu poucos meses depois desse lançamento, com poucas cópias de fato vendidas e os direitos do disco entraram em um limbo jurídico, divididos entre duas partes que não fazem acordo, o que obriga todas plataformas a bloquearem o disco.

É possível ouvir algumas faixas, que existem em uma coletânea. Pelo que consegui ouvir, é um ótimo álbum de estreia. O Caravan é uma banda muito diferente do habitual. Nesse disco eles têm um quê de pop com umas sacadas de psicodélico que funcionam muito bem.

Como eles vão aparecer aqui mais vezes, vou guardar material para um álbum que tanto eu como você que me lê consiga ouvir inteiro.

155 - World Record - Van der Graaf Generator (1976)

Van der Graaf Generator é uma espécie de "Anti-Genesis" no Rock Progressivo. E não falo no sentido de qualidade, mas de estilo. Enquanto o pessoal do Progressivo Sinfônico se inspirava mais na música erudita romântica ou barroca, existia uma outra corrente que bebia no jazz e na música erudita contemporânea. Esse é, precisamente, o caso do Van der Graaf Generator.

É fácil perceber o uso do minimalismo em bandas mais experimentais, como o Magma ou o Univers Zéro, mas no VdGG esse recurso ganha outra dinâmica. Em vez de rodar em círculos, eles andam em uma espiral, construindo camadas progressivas em cima do mesmo tema até atingir o clímax. A música é claustrofóbica, mas nem por isso menos teatral. As letras são sobre problemas pessoais modernos, como as máscaras que usamos na sociedade ou a introspecção do compositor, que conversa mais com a sua guitarra que com os humanos. E não se engane: não é música erudita, é rock. Eles não deixam a sofisticação eliminar a essência.

Este trabalho marca a despedida da formação clássica da banda, mas nem por isso se apresenta como um álbum menor. O nível geral das faixas é ótimo, com destaque para "A Place to Survive" (que possui um impressionante clímax), a longa "Meurglys III" — cujo título faz referência à guitarra do vocalista Peter Hammill — e a densa "Masks".

Em última análise, World Record não é apenas o testamento final da formação clássica do Van der Graaf Generator, mas a prova de que o rock progressivo pode ser urgente, cortante e perigoso. O clichê do gênero costuma evocar a ideia de longas suítes instrumentais, excesso de teclados e constantes mudanças de clima. Este disco joga por terra esse estereótipo, provando que há muito mais diversidade e crueza no Rock Progressivo do que o senso comum costuma imaginar.

154 - Gudrun - Pierrot Lunaire (1977)

Nomes normalmente importam: Pierrot Lunaire é uma obra seminal da música erudita moderna: Schoenberg compôs esse ciclo de canções para soprano extremamente atonal e difícil de ouvir (vou ser sincero, para mim esse foi um caminho errado tomado pela música no século XX, eu não consigo gostar mesmo entendendo os movimentos que levaram a isso).

O que esperar de uma banda italiana de Rock Progressivo com esse nome e uma cantora (Jacqueline Darby)?

Até que não é tão complicado quanto eu esperava. Não é totalmente atonal, mas é estranho. Tem uns gemidos, umas paradas meio construtivistas, uns sons de filme de terror. Entra umas referências de música popular ou programas de rádio. E outras músicas são mais para o impressionismo, com uma harmonia mais parada que não anda muito.

Acaba sendo uma coleção de clichês do experimentalismo. Sinceramente, é bem mais fraco do que os discos de vanguarda real que apareceram na parte 1 e 2 da lista. Não sei o que a turma da Uncut viu aqui.

Sabendo que não é fácil avaliar esses tipo de música com uma audição, posso dizer que não faz meu gosto. Eu até curto alguma coisa de experimentalismo quando é muito bem feito e o resultado justifica o desconforto. Não é o caso desse disco.

153 - As Your Mind Flies By - Rare Bird (1970)

Esse é um disco bem interessante, é mais uma daquelas bandas do final dos anos 60 e início dos anos 70 que estava testando qual melhor formato em termos de instrumentação. Enquanto o The Doors era uma banda sem baixo, a banda inglesa Rare Bird não tinha guitarras. O que iguala elas é que ambas tentavam resolver essa lacuna com teclados.

Aqui a ideia era ter um órgão e um piano elétrico conversando e gerando tanto a base como as harmonias. Esse é o segundo album da banda e o resultado é um rock bem clássico.

O destaque fica para a suíte Flight, com referências ao Bolero de Ravel. É interessante, bom de escutar, mas não vejo como uma obra prima.

152 - The Cheerful Insanity of Giles, Giles and Fr- ipp - Giles, Giles and Fripp (1968)

Esse grupo o precursor do King Crimson com 3 de seus futuros elementos, mas com uma escolha bem estranha de repertório.

Eles fazem algo que parece a música pop dos anos 60 na forma, mas na verdade estão ironizando isso. É uma bateria claramente sofisticada em um arranjo simples, as letras parecem tirar sarro dos temas comuns de bandas pop. Algumas harmonias que lembram Beach Boys se alternam com músicas declamadas.

É uma piada sofisticada. Ainda que fosse engraçado (e eu tenho minhas dúvidas quanto a isso), quantas vezes você quer ouvir a mesma piada? Foi um tremendo fracasso.

Mas, não foi em vão, acredito que tenha servido de lição. Pouco depois, os irmãos Giles e Fripp recrutaram Ian McDonald e Greg Lake, abandonaram a comédia, adotaram o peso dramático e mudaram a história da música com In the Court of the Crimson King.

151 - Centipede - Septober Energy (1971)

Para fechar este bloco do ranking, temos um dos projetos mais colossais e megalomaníacos da história da música britânica. Capitaneada pelo pianista de jazz Keith Tippett e produzida pelo incansável Robert Fripp (olha ele aí de novo), a Centipede era uma big band com nada menos que 50 músicos, oriundos do rock experimental inglês, reunindo membros do Soft Machine, King Crimson e Henry Cow, além de uma orquestra clássica de cordas e uma seção massiva de metais.

O resultado é uma suíte gigantesca dividida em quatro partes de 20 minutos cada gravada em um álbum duplo (cada parte é um lado do disco). É uma misturada de free jazz, progressivo e música de vanguarda, não necessariamente nessa ordem.

Confesso que esse foi demais para mim. Sempre tento ouvir o disco inteiro antes de escrever, mas esse aqui deu vontade de parar no meio. Existem partes interessantes, mas as partes chatas são muito chatas, muita repetição, muito ruído, muita atonalidade sem sentido. Oitenta minutos disso é um pouco demais.

Além disso, não achei nos streaming, só no Youtube.

Obs.: Ao revisar o texto, a IA do Google me avisou que existe no Spotify: ouça por sua própria conta!


E chegamos ao fim de mais uma etapa.

Peço desculpas pelo atraso, mas com a copa do mundo e a dificuldade de ouvir os dois últimos discos dessa parte da lista eu acabei levando uma semana a mais para lançar esse texto.

Quero ouvir vocês! Concordam ou discordam? Alguem conhecia o Centipede?