Diário da Copa - 30/06/2026

Vitória épica do Brasil e Eliminações de Alemanha e Holanda

Diário da Copa - 30/06/2026

Dia 30 de Junho foi um grande dia de Copa do Mundo. Três jogos eletrizantes, duas disputas de pênalti, a eliminação de duas potências e o Brasil tendo que vencer seus fantasmas para sair com a vitória.

Acho que desde a Copa do Brasil eu não me divertia tanto com uma Copa do Mundo.

Vou falar rapidamente de Alemanha x Paraguai e Holanda x Marrocos, para depois gastar mais tempo falando do Brasil (se é que ainda resta algo a se falar).

Alemanha 1(3) x 1(4) Paraguai

O Rogério, leitor que me acompanha desde o Covil dos Jogos, me perguntou se achava que a eliminação da Alemanha era demérito desta ou mérito do Paraguai.

Eu acho que, como quase sempre, é um pouco das duas coisas. O Paraguai tinha um plano e cumpriu a risca. Jogou fechado, aguentou a pressão e, ainda no primeiro tempo, numa rara escapada, achou um gol.

Com isso eles se encheram de moral e confiança para manter a disposição necessária para segurar o plano. Contaram para isso com a soberba atuação do goleiro e da chamada do VAR que anulou um gol que para muitos é controverso (eu acho que aquilo é falta, mas na Premier League rola direto esse bloqueio).

Por outro lado, a Alemanha não teve repertório para vencer a retranca proposta pelo adversário. Apesar de chutar 21 vezes, teve apenas 2 chances claras de gol. O Paraguai, praticamente apenas se defendendo, teve 3.

O Paraguai ainda botou quase tudo a perder na cobrança de Pênaltis, mas aí a Alemanha, a lendária fria e pragmática Alemanha, mostrou que seus jogadores são humanos e não ciborgues, e não aproveitou a chance.

Parabéns ao Paraguai, que começou tão mal e acabou tendo uma grande vitória. Conseguirá repetir o plano contra França? Acho muito difícil.

Holanda 1(2) x 1(3) Marrocos

A partida foi um jogo de gato e rato, com Marrocos no papel do Gato.

Tirando uma chance no início do jogo e o mortífero contra-ataque que gerou o gol da Holanda, Marrocos dominou a grande maioria das ações. Ficaram com a bola, criaram mais chances, só que isso nem sempre é o suficiente. A Holanda teve um contra-ataque de almanaque e, aos 71 fez 1x0. Marrocos só foi empatar nos descontos. Ainda teve uma excelente chance na prorrogação.

Sinceramente, o Brasil sofreu 30 minutos contra Marrocos e depois equilibrou e até comandou as ações. A Holanda não conseguiu chegar perto disso, mas fez o gol na frente.

Marrocos realmente está muito bem, mas precisa fazer os gols. Contaremos com eles para parar a França?

Brasil 2x1 Japão

Boa parte dos torcedores Brasileiros acreditam que a seleção é algo de outro planeta. Que a seleção seja uma espécie de Roger Federer do futebol, que ganha as suas partidas sem desarrumar o cabelo.

Qualquer coisa abaixo disso, tirando raríssimas exceções (jogos de final ou semifinal contra times de pedigree quase tão impecável quanto o nosso), não presta.

Então, dependendo do seu ponto de vista, foi um jogo épico, ou foi um quase vexame.

Afinal, o Japão é um time esforçado, muito bem treinado, com alguns bons jogadores... mas é o Japão. O Brasil não pode perder para o Japão, isso não cabe no imaginário do brasileiro médio.

Então, o jogo começa, o Brasil tem o domínio aparente das ações, mas cai na armadilha do Japão, que claramente joga por uma bola. E a consegue. Em um passe telegrafado de Danilo, Hano se antecipa, intercepta e carrega a bola por 30 metros e chuta no cantinho de Álisson.

O gol faz mal ao Brasil, que literalmente começa a bater cabeça. Parece que todos os jogadores ficam com medo de se tornar mais um vilão. Apenas o Casemiro tenta alguma coisa, mas o que ele gera são passes errados e mais irritação. Para piorar, Paquetá se machuca no final do primeiro tempo.

Felizmente, o primeiro tempo acaba com o placar mínimo. A vaca parecia que ia para o brejo com sininho e tudo.

E aí o Ancelotti mostra ao que veio. Eu não sei o que ele falou no vestiário, mas eu pagaria uma pequena fortuna para ouvir. Seja lá o que for, o time voltou com outro espírito e, mais importante, com outro plano.

Ao contrário do que 99% das pessoas esperavam, Casemiro foi mantido no jogo e Endrick entrou no lugar de Paquetá. O Brasil colocou uma espécie de 4-2-4, usou seus zagueiros como meias e o Japão praticamente não viu mais a cor da bola.

Com viradas de jogo rápidas e cruzamentos, o Brasil levou grande perigo por 2 vezes até que na terceira, faz o gol do empate com... Casemiro.

O gol bota fogo no jogo, Vini Júnior recebe uma bola com espaço e faz uma jogada Maradônica que infelizmente termina com sensacional defesa de Suzuki.

Ancelotti faz mais uma das suas? Neymar? Que nada, Gabriel Martinelli.

Ninguém entendeu, nem o Japão. Já nos descontos, depois de uma retomada de Rayan, Bruno Guimarães, finge que vai chutar, tira a marcação e dá o passe para que o Martinelli se consagrasse.

O Brasil não virava um jogo decisivo em Copa desde 2002. Quando ficou 1x0, os fantasmas que nos acometem há 20 anos apareceram para nos assombrar.

Ancelotti cruzou os raios e os fantasmas foram para caixa. Pelo menos por enquanto.

A psique brasileira só será curada quando vencermos uma Copa, ou pelo menos quando derrotarmos um time "grande" (Argentina, França) de modo convincente em um jogo eliminatório.

Traumas psicológicos não são curados rapidamente, levam tempo.

Ontem foi um pequeno passo. Que a cura continue!