Os 200 melhores álbuns de Rock Progressivo - Parte 2
Ou, pelo menos, essa é a opinião da revista inglesa Uncut, que fez essa edição especial com esse ranking.
Essa é a continuação (a primeira parte está aqui) dessa série e vamos ver mais dez álbuns, dessa vez do 190 ao 181.
Pelo menos nessa parte inicial da lista, percebemos que tem muita coisa experimental, na fronteira do Rock Progressivo com outros gêneros, principalmente com Jazz Fusion (que é a mistura do rock com o Jazz) e até com a música erudita contemporânea.
Nem sempre é música fácil de ouvir, algumas chegam a incomodar. Isso não quer dizer que sejam mal feitas, apenas que o objetivo dos músicos nem sempre é o de nos entreter, mas de expressar algum sentimento.
Siga comigo nessa jornada de aprendizado musical!
190 - Z = 7L - ZAO (1973)
Zao é mais uma banda francesa de Zeuhl, formada por dois ex-integrantes do Magma que preferiam manter uma abordagem mais Jazzística enquanto o grupo original foi para uma coisa mais dark.
O nome do disco é uma piada visual (o "7" e o "L" formam "Z" quando superpostos). Não encontrei nenhum significado adicional para isso (se alguém souber mande nos comentários).
A música é uma espécie de fusion, com os vocais sendo uma coleção de scats da soprano Mauricia Platon, que só gravou esse álbum com a banda. Sua participação, porém, é marcante.
Achei esse álbum bem mais acessível que os demais desse estilo. Consigo imaginar essa banda tocando no extinto Free Jazz Festival que tínhamos aqui no Rio. Se eu colocar no carro minha mulher vai reclamar, mas é legal.
189 - Attahk - Magma (1978)

Se tem uma coisa que aprendi fazendo essa série é que o Magma foi uma banda crucial para explodir as fronteiras do rock. Para muita gente, eles são o ícone máximo do Rock Progressivo de vanguarda. Attahk (1978) faz parte de uma segunda fase do grupo e é bem mais acessível do que os trabalhos anteriores. Christian Vander deu uma trégua no clima de "fim do mundo" e deixou o som caminhar forte para o Jazz-Fusion, flertando abertamente com o Funk e o Soul americano (dizem que por influência de Stevie Wonder e Earth, Wind & Fire).
Ainda temos o vocal em Kobaïan e aquelas repetições infinitas e hipnóticas do minimalismo, mas a cozinha rítmica aqui ganhou um suingue inédito. Com certeza é bem mais acessível que o álbum que apareceu na primeira parte dessa lista.
Se você sentiu falta daquela música puramente opressiva e assustadora, não se preocupe, você será regiamente atendido no próximo álbum da lista:
188 - Hérésie - Univers Zéro (1979)

Univers Zéro é uma banda belga que, adivinhem, o seu fundador veio de uma banda chamada Arkham, que abria shows do Magma.
A referência não é por acaso. O cara era fanático por Lovecraft e a música mostra isso.
Esse álbum é um exemplo do que chamam de "Gothic Chamber Music". A música é opressiva, pesada, é o equivalente musical a um filme de terror psicológico. Há vários trechos que lembram uma trilha sonora.
Eu tenho muita dificuldade de entender isso aqui como rock. Para mim é música erudita avant-garde do século XX. Não se engane, esses caras são excelentes músicos e sabem o que estão fazendo. O objetivo não é ser "agradável", é criar uma atmosfera sufocante mesmo.
É fácil perceber a influência que esse som teve em bandas do Gótico e do Dark. Dá para imaginar isso aqui tocando em um fim de noite no Crepúsculo de Cubatão... eu só não sei sairia alguém vivo, porque é música para cortar os pulsos!
Não é algo que eu vá ouvir normalmente, mas confesso que gostei. Essa ligação com o pós-punk me trouxe lembranças, eu gostava dessas bandas.
187 - If - If (1970)

If é uma banda inglesa formada em 1969 lança seu primeiro álbum, que tem o mesmo nome da banda.
É um rock clássico bem tradicional, com uma leve camada de jazz (principalmente no uso de dois saxofones). Lembra muito bandas como as americanas Chicago e Blood, Sweat and Tears.
Ouvindo agora eu me pergunto como esses caras não estouraram. De longe, o mais acessível que apareceu nessa lista até agora. É um rock bem feito, bons arranjos, solos de vários instrumentos, é ótimo para ouvir no carro, viajando.
Há uma pergunta que cabe: isso é progressivo? Pelo que pesquisei, nessa época, qualquer coisa que saísse do formato da canção de rádio era progressivo. Hoje, acho que chamaríamos de rock clássico apenas.
Isso pouco importa. É um baita som, esse dá pra recomendar para qualquer um.
186 - Hopes and Fears - Art Bears (1978)

Uma coisa que eu não esperava encontrar nessa lista eram bandas engajadas politicamente. Ledo engano. Chegamos a um movimento chamado RIO (Rock in Opposition), que basicamente juntava músicos experimentais contra o sistema das grandes gravadoras, exigindo maior independência criativa e uma melhor divisão de royalties. De certa forma, o RIO e o avant-rock se confundem.
O Art Bears foi um trio britânico desse grupo formado em 1978 a partir do fim da lendária banda de rock de vanguarda Henry Cow. O grupo destacou-se por suas estruturas musicais experimentais e letras de cunho político.
É uma música experimental e muito teatral, a prioridade é passar uma mensagem. Sinceramente, se o objetivo é contar uma história, Bob Dylan fazia isso bem melhor.
185 - Hard Rope and Silken Twine - The Incredible String Band (1974)

Esse é um disco bem riponga. A Incredible String Band é liderada por dois músicos escoceses, Mike Heron e Robin Williamson, sendo este o responsável pela pegada mais folk, de origem celta. Nos seus melhores momentos, soa como um Jethro Tull um pouco mais tradicional.
A banda era conhecida por usar instrumentos típicos de diversas partes do mundo, trazendo essa pegada de música folclórica aliada aos conceitos do rock. Isso porém era um equilíbrio instável, pois os dois integrantes tinham visões diferentes do que queriam.
Pouco após o lançamento do álbum o grupo se desfez, com cada um dos dois principais integrantes indo buscar projetos diferentes. Heron continuou no rock enquanto Williamson ficou militando na música folclórica tradicional.
As 3 primeiras músicas são baladas que sinceramente não me chamaram a atenção. A partir daí melhora, culminando na épica Ithkos, que justifica a presença do disco nessa lista. Ela tem tudo que você espera de um banda de rock progressivo.
184 - Western Culture - Henry Cow (1979)

Henry Cow é a banda ícone do Movimento RIO/Avant Rock, do qual já falamos anteriormente (sendo o Art Bears uma dissidência dessa banda, inclusive). Formada basicamente por estudantes de Cambridge, faz uma música instrumental (pelo menos nesse disco) de vanguarda e muito intelectualizada, em contraponto ao Art Bears, que discutimos antes, que fazia seu protesto através das letras.
Para muitos, Western Culture é a obra prima desse movimento/estilo. O objetivo aqui é passar impressões. Cada lado do album foi composto por um integrante e funciona como duas suítes distintas.
A primeira faixa, "Industry" realmente traz o ambiente opressor de uma fábrica onde se faz a mesma coisa o tempo todo. Embora seja uma música em boa parte atonal e difícil de escutar, é bem feito, não é um barulho aleatório. O resto é mais abstrato para mim, sem os títulos eu não saberia que a música é uma crítica à sociedade ocidental.
Assim como no disco do Univers Zéro, temos aqui muito mais música erudita contemporânea do que rock. Ambos são difíceis de ouvir, requerem mais audições, não para serem apreciados (não é esse o objetivo), mas para serem compreendidos. De minha parte, eu fico com os belgas, as angústias deles são mais parecidas com as minhas.
183 - Czar - Czar (1970)

O site Prog Archives classifica esse disco como "Proto Prog". Basicamente, esse estilo é formado por bandas tipo o Deep Purple, que faziam algo anterior ao progressivo, que continha elementos deste, mas ainda não era exatamente o estilo.
Nesse caso específico, a classificação é muito feliz. Essa banda é o elo perdido entre a transição de fases dos Beatles, a primeira fase do Pink Floyd (ainda com Syd Barrett) o The Mamas & the Papas e o que veio depois (Yes, Genesis etc.).
A banda mistura vocais típicos do Beatles com um rock mais solto e muito teclado. Os arranjos entregam os anos passados e o som não é grande coisa (achei que fosse por conta de ter ouvido no Youtube, mas li críticas de quem ouviu o disco reclamando também), mas é um som interessante e agradável.
Para os ouvidos atuais, claramente soa ultrapassado, mas vale como registro histórico.
Esse foi o único disco dessa banda e hoje ele é uma raridade, sendo disputado a tapa por colecionadores de vinil.
182 - Un peu de l´âme des bandits - Aqsak Maboul (1980)

Apesar do nome árabe, é mais uma banda belga do movimento RIO/Avant Prog. E, nesse sentido, ela não decepciona. A esquisitice impera.
Nesse caso específico, eles usam mais instrumentos modernos do que o Univers Zéro e são mais melódicos do que o Henry Cow. Porém, não se engane: a música é muito estranha. Parece uma série de piadas de músicos para outros músicos. Eles sabem as referências que estão zoando, mas seres normais como nós ficamos ouvindo sem entender muita coisa.
Tivemos três bandas desse movimento nesse conjunto de dez discos. Esse é, teoricamente, o "melhor" (pela posição na lista), mas foi o que menos gostei. Aparentemente é menos difícil de ouvir que os outros dois, mas enquanto aqueles parecem algo sincero, nesse aqui o cinismo impera. Pelo menos para mim, fica a nítida impressão que os músicos estão tirando onda com a minha cara. E aí não dá.
Talvez o nome seja uma chave para entender. Em bom português, "Um pouco da alma dos bandidos". Estamos roubando seu tempo e te enganando.
181 - It´ll All Work Out in Boomland - T2 (1970)

T2 é um trio inglês, que tinham como referência o som The Jimi Hendrix Experience e do Cream e levá-lo a um novo patamar.
A banda fez sucesso na época do lançamento do disco, mas teve uma série de problemas que atrapalharam sua evolução: em primeiro lugar, a gravadora (Decca) fez uma tiragem muito pequena do Álbum (que hoje é uma raridade) e em segundo lugar, a banda se dissolveu pouco tempo depois, devido a tensões entre membros da banda, mais notadamente o desgaste do guitarrista Keith Cross com a rotina de shows.
Uma pena, pois esse é um excelente disco e essa banda prometia muito.
Ouvindo hoje em dia, eles lembram um pouco o Rush do início da carreira. Não só por ser um trio, mas pelo tipo de som, um rock progressivo bem pesado, focado em guitarra. Destaque para a última faixa, "Morning", mais um épico de lado inteiro que vale a pena ser ouvido.
Se a primeira semana já foi viajante, a segunda foi uma verdadeira jornada aos recônditos da música.
Eu não sei o que passou pela minha cabeça, mas eu não esperava ter que ouvir tantos discos experimentais. O que mais surpreendeu foi que eu consegui absorver essa música de uma forma mais fácil do que esperava.
Aprendi muito essa semana, pesquisei bastante sobre essas bandas e, pelo que li, minhas impressões batem com que as pessoas que discutem nos fóruns especializados. Acredito que quem chegar aqui desavisado vai ter uma boa introdução sobre o assunto.
Pode ser que alguém goste do que não gostei e vice-versa, mas acredito ter conseguido ser justo com as obras. Destaco principalmente os discos do If e do T2.
O que vocês acharam? Se animaram de ouvir algum desses discos?
Tinha algo que vocês já conheciam? Concordaram comigo?
Comente aí, gostaria muito de saber o que outras pessoas pensam dessas bandas. Não é muito fácil encontrar gente para conversar sobre isso!