Os 200 melhores álbuns de Rock Progressivo - Parte 1

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Os 200 melhores álbuns de Rock Progressivo - Parte 1

Ou, pelo menos, essa é a opinião da revista inglesa Uncut, que fez essa edição especial com esse ranking.

Tomei conhecimento dessa lista através do (ótimo) canal Alta Fidelidade, do Luiz Felipe Carneiro, que conheci em um curso da Casa do Saber aqui no Rio. Luiz é um jornalista musical com boa rodagem, fez o Guia do Rock in Rio e, junto com seu amigo Biofá, nos ensina muita coisa sobre rock no seu canal.

Embora já conheça boa parte dos álbuns, resolvi ouvir a lista inteira, do ducentésimo até o primeiro, e publicar meus comentários.

Como a lista é muito grande, esse post será dividido em 20 partes, com dez álbuns em cada. Vou tentar publicar semanalmente, mas é possível que atrase, pois, além  de ouvir com calma, prestando atenção, eu preciso pesquisar um pouco sobre o disco e a banda para não ficar falando muita besteira.

Embora eu tenha alguma (bem pequena) formação musical, estou fazendo essa análise apenas como um ouvinte atento. Meus critérios são bastante subjetivos, com base no meu gosto pessoal. 

A ideia é aumentar o meu próprio conhecimento de um estilo que eu sempre gostei e ajudar vocês a conhecerem mais também.

Espero que gostem.

200 - USA (Live) - King Crimson (1975)

King Crimson é uma das maiores bandas do Progressivo (ela aparecerá muito por aqui), mas esse disco em si não me agradou não. Tem bons momentos, mas a captação do som não é das melhores. Eu não sou muito conhecedor do trabalho dessa banda, então é difícil julgar.

199 - The last we can do is wave to each other - Van der Graaf Generator (1970)

A Banda Inglesa Van der Graaf Generator sempre me intrigou. Ela está dentro do cânone do progressivo, mas o som dela é bem diferente das outras bandas da época (tanto que o site ProgArchives os classifica esse disco como "Ecletic Prog" (seja lá o que for isso).

Dá para perceber que eles têm várias influências diferentes. Eles não estão tentando fazer música erudita com instrumentos de rock. É algo meio folk, as letras são meio declamadas.

Mas é maneiro. Esse é o segundo álbum da banda. Achei mais fácil de ouvir que os mais famosos Goldbluff e Pawn Hearts. Acho que poderia ficar um pouco mais acima na lista.

198 - Köhntarkösz - Magma (1974)

Um dos motivos pelos quais me motivei a fazer essa lista era conhecer bandas e discos que nunca ouvi falar. Essa é uma banda francesa que tem um conceito muito doido. As músicas são escritas em Kobaian, o idioma de um planeta fictício que competiria com a Terra.

Musicalmente eles criaram um estilo próprio, denominado Zeuhl (que significa "Celestial" em Kobaian), e é uma salada de referências. Fica entre o Psicodélico, o Sinfônico e tem clara influência do Jazz e do Minimalismo.

Pelo menos é tonal, dá para ouvir. Mas é loucura demais para mim e tem muita encheção de linguiça. Há um excesso de “ostinatos” (quando uma ideia musical fica se repetindo continuamente, isso é um recurso típico do minimalismo) que eu acho totalmente dispensável. Muita digressão que não leva a nada. Me parece hermético demais.  

Vou ter que me acostumar, porque vem mais por aí.

197 - Tales From Topographic Oceans - Yes (1973)

Esse é o sexto álbum do Yes. Animados com o sucesso de "Close to the Edge", aqui eles meteram o pé na jaca. É um álbum duplo de estúdio originalmente lançado com apenas 4 faixas, uma por lado, todas elas beirando (ou ultrapassando) os vinte minutos.

A qualidade dos músicos é gigante, mas é fácil perceber que o que era orgânico em Close to the Edge aqui parece apenas cumprir tabela em alguns (na verdade, em vários) pontos. As músicas não são longas porque tem muitas ideias a desenvolver, elas são longas porque esse era o objetivo.

Não leve a mal, é um ótimo álbum, tem grandes momentos, mas falta respiro. Se tivessem salpicado músicas menores entre as suítes teria sido melhor, eu acho.

De qualquer forma, vai para a playlist.

196 - Waters of Change - Beggar´s Opera (1971)

Esse é o segundo disco de uma banda escocesa que faz um progressivo bem dentro do esperado. Muito teclado, a puxada é mais pro rock do que para o clássico e as músicas não são muito grandes (a maior tem 8 minutos). 

Não é nada do outro mudo, não vai mudar sua vida, mas é bem agradável de ouvir. Eles são melódicos, a música tem claramente início, meio e fim, mesmo quando eles entram em um solo ou trecho de desenvolvimento, eles não se perdem e voltam pro fio original. Muito bom. Vai para a playlist.

195 - Catapilla - Catapilla (1971)

Esse eu tive que ouvir no Youtube, porque não está nos dois serviços de streaming que uso (Apple Music e Deezer). Catapilla é uma banda inglesa liderada pela cantora Anna Meek e o saxofonista Robert Calvert. A banda não durou muito, mas esse álbum é bem interessante.

Para mim, é mais fusion do que rock progressivo. Além de possuir sopros bem presentes, o baixo e a bateria são maravilhosos, mantendo um groove muito legal.

O vocal de Anna Meek é estranho, parece uma cantora de punk que pegou uma máquina do tempo e foi parar dez anos antes no meio de uma banda art rock. Pelo que vi, tem gente que adora e tem gente que odeia. Eu acho que não combina muito, mas gerou algo inusitado que gostei de conhecer.

194 - Archaia - Archaia (1977)

Outro que só achei no Youtube. Banda francesa formada por fãs do Magma (do qual falei acima). Talvez por ser mais recente, é um pouco menos estranho, embora seja bastante experimental. Pelo menos eles cantam em francês.

Como o Köhntarkösz, é mais curioso do que bom. Não é ruim, é até instigante, mas eu passo. Vamos ver se lá na frente eu chego a gostar de algo do Zeuhl.

193 - In Camera - Peter Hammil (1974)

Peter Hammil era o vocalista do Van der Graff Generator e esse disco foi gravado em um hiato da banda, onde ele é acompanhado por alguns membros do conjunto.

"In camera" é um nome apropriado. As letras são todas em primeira pessoa e as músicas claramente parecem uma seção de psicanálise. As duas últimas músicas "Gog/Magog" eu achei pretensiosas e excessivamente experimentais.

Essa galera ouviu "Tomorrow Never Knows" dos Beatles e achou que a partir de agora tudo era prego para bater com aquele martelo. Acaba virando encheção de linguiça. Esse talvez tenha sido o maior problema do progressivo, de porque ele tenha ficado lá nos anos 70. Ele se tornou hermético.

192 - Solar Plexus  - Ian Carr with Nucleus (1971)

Liderados pelo trompetista escocês Ian Carr, Nucleus é basicamente uma banda de Jazz/Fusion, mas bem pro lado do Jazz mesmo. O disco é totalmente instrumental, com temas relativamente curtos (para progressivo) com exceção da última música. A bateria se destaca bastante e há lindo dueto de clarineta e baixo na faixa Spirit Level. Achei o Catapilla mais interessante no geral, mas isso aqui é muito bom.

191 - Saint Just - Saint Just (1973)

Primeiro exemplar do Progressivo Italiano que aparece. Não conhecia essa banda, formada por napolitanos. Destaque para a cantora, Jenny Sorrenti.

Não sei se por cantar em italiano, mas as músicas dessa banda me lembram muito música renascentista. Gostei bastante desse disco, vou ouvir de novo. Talvez a melhor surpresa dessa leva. 


E com o som renascentista do Saint Just, fechamos os nossos primeiros 10 discos da lista da Revista Uncut!

Confesso que revisitar o início desse ranking me tirou da zona de conforto. O saldo dessa primeira semana foi bem positivo!

Na próxima semana, subiremos mais 10 degraus rumo ao primeiro lugar (do 190 ao 181). O que será que vem por aí? Mais pirações experimentais ou clássicos absolutos?Agora eu quero ouvir você:

  • Você já conhecia alguma dessas bandas? Já ouviu algum desses discos?
  • Peguei pesado com o Yes? Ou com o King Crimson?
  • Algum desses álbuns vai para a sua playlist?

Deixe seu comentário aqui embaixo! Vamos bater um papo sobre prog rock. Nos vemos na semana que vem!