Diário da Copa - 15/06/2026
Alguns comentários diversos sobre a Copa do Mundo em geral.
O Domingão teve vários bons jogos (o melhor deles foi Holanda e Japão), mas foi um dia que eu não consegui ver praticamente nada. Saí para jogar a tarde e fui ao teatro de noite (Vitor ou Vitória com o Miguel Falabella. Muito bom).
Então, ao invés de falar dos jogos em si, vou trazer algumas reflexões sobre a Copa de maneira geral.
1 - Os jogos estão muito mais interessantes do que se pensava.
Quando divulgou-se que a Copa teria 48 times, tanto a imprensa como o público em geral tiveram a impressão de que o nível dos jogos cairia muito.
É muito razoável pensar isso. São muitos times novatos, de regiões onde o futebol não é tão desenvolvido. Se com 32 times já tínhamos alguns jogos ruins, isso pioraria.
Só que não. Os jogos têm sido bastante competitivos. Até agora, só tivemos uma goleada constrangedora (o 7x1 da Alemanha), mas que ainda assim, por alguns minutos, teve jogo.
O futebol de seleções se tornou muito nivelado. Praticamente todos os times têm jogadores em grandes centros, todos têm um bom preparo físico e conseguem fazer, pelo menos por algum tempo, um jogo intenso.
O futebol moderno não é tão técnico, não temos mais tantos jogadores que resolvem o jogo sozinho, o futebol atual é muito coletivo e tático. Se não é tão plástico como era antigamente, é muito movimento e se mantém interessante.
E ter mais grupos e jogos acabou tendo uma vantagem: os times jogam de forma mais espaçada. O Brasil está tendo praticamente uma semana entre os seus jogos. Isso nunca aconteceu. Talvez isso ajude a termos jogos ainda melhores.
Os "Mauro Sérgios" da vida nunca reconhecerão isso. A vida do jornalista brasileiro contra a FIFA, o Comitê Olímpico e qualquer coisa que eles não reconheçam como necessariamente progressista.
Não que eles não mereçam críticas, mas a Copa de 48 times por enquanto vai muito bem, obrigado.
2 - O novo protocolo de entrada tem pontos positivos e negativos
Uma das coisas mais legais de toda Copa do Mundo é a entrada dos times e a execução dos hinos. Eu adoro ver os times cantando os hinos.
É um dos momentos onde é mais fácil ver que esses caras, altamente profissionais, ainda possuem algo do menino que foram um dia e que tinham como sonho estar justamente onde estão. Eu imagino o filme que passa na cabeça de cada um. Só deve perder para o pódio na Olimpíada.
Ao longo do tempo, a FIFA foi criando um protocolo para esse momento. Os times passaram a entrar juntos, ficarem perfilados. Depois veio uma bandeirinha de cada lado. E depois criaram um musiquinha, que era maravilhosa e que infelizmente, foi abandonada.
Nessa edição, talvez para buscar alguma empatia com o público americano, a FIFA resolveu usar Sirius, música do Alan Parson´s Project que ficou mundialmente conhecida por ser o tema de entrada do Chicago Bulls na época dos seus títulos.
Eu sou torcedor do Bulls e adoro essa música, mas sou saudoso do tema da FIFA. Ele significa Copa do Mundo para mim. Sirius me parece muito fora de lugar.
Outra coisa que é estranha é que como os estádios de futebol americano não têm uma entrada central, os times vêm andando da linha de fundo. Isso faz com que o percurso fique meio longo e anti-climático.
Dito isso, a ideia de colocar todos os jogadores e não só os titulares ao redor do círculo central e todos os banners que cobrem o campo ficou muito legal.
3 - As mudanças de Regra ainda não fizeram muita diferença
Uma coisa que foi muito divulgada foram as diversas mudanças de regra.
A coisa que obviamente é mais percebida é a parada para hidratação, que se tornou obrigatória e praticamente determinou a divisão do jogo em quatro partes em vez de duas.
Como aqui no Brasil a gente já tinha essa parada, eu não senti isso como um grande problema. Para mim é um passo no caminho certo, que é adotar o controle do tempo de jogo.
O maior problema do futebol é a facilidade com que times que estão satisfeitos com o placar conseguem comer tempo do jogo. A maior das regras esdrúxulas que eles inventam é para coibir isso. Todas elas se tornariam desnecessárias se controlássemos o relógio.
O que acontece é que na Copa do Mundo os times não fazem tanta cera. E não é por bondade ou espírito esportivo.
É porque na Copa do Mundo os árbitros estão em condições praticamente ideais de trabalho. Eles não estão sofrendo as pressões da federação preocupados com a escala da rodada seguinte. Então, eles apitam tudo e fazem o que deveriam fazer sempre: "arbitram" o jogo, usam o bom senso e a maioria dos jogos transcorre bem.
Vamos ver como vai ser quando voltarmos a realidade da CBF e das nossas amadas federações.
Por fim, preciso falar da regra que permite reverter um escanteio, mas não um tiro de meta. Porque? É simples, porque eles querem poder anular um gol que origine um escanteio errado, mas não querem que haja var a cada bola dividida que saia pela linha de fundo.
Não vai adiantar nada, na dúvida o árbitro vai dar escanteio (porque aí vai ser revisado).
É isso. Amanhã tem França e Argentina. Depois de vê-las, faço um pacote e falo também da Espanha, que pagou mico hoje.
E você? Está gostando do jogos? Se emociona com os hinos? E as mudanças de regra, o que achou?
Comente aí!